sexta-feira, 16 de julho de 2010

O bom (ou mau) da carne



Depois do post sobre gastronomia (Dica gastronômica para quem mora em Palmas - Shawarma), muita gente veio falar comigo que sente falta de uma coluna, ou revista, ou blog, enfim, de uma fonte de informação, de dicas legais de lugares para comer aqui em Palmas. Uma destas conversas foi com a Cecília Santos, do Blog da Ciça, que sofre, tadinha, por ser vegetariana. Sei bem que vida de vegetariano não é fácil. 

Na faculdade eu tinha muitos amigos vegetarianos e convivi um tempo com uma colega judia, religião que tem também suas restrições quanto à carne. Por três meses consegui seguir à risca a dieta ovolactovegetariana, este palavrão aí que significa que eu só não podia comer a carne dos animais, mas estava liberada para produtos de origem animal que não exigem sacrifício, como ovos, leite e seus derivados. E já era uma trabalheira danada, fico imaginando quem é vegetariano total e radical. Nem um ovinho frito no azeite de coco passa. Desisti. Não por sentir falta de carne, mas pela falta de praticidade que é esta restrição. Tenho horror a restrição de qualquer tipo, ainda mais autoimposta.

A Ciça disse que sente falta de lugares que respeitem os vegetarianos aqui em Palmas. Na conversa, descobri que ela é mineira e filha de mineira como eu. Pensei: como foi que ela conseguiu a proesa de ser vegetariana? A comida mineira não sobreviveria sem carne. A não ser que esquecêssemos a parte salgada e vivêssemos de doces e compotas. De resto, tudo tem um baconzinho, um toucinho, um paio, uma carne seca, um charque. Mandioca, couve? Sim, produtos liberados para os vegetarianos, mas não se engane. Tudo ali é regado na banha de porco.

Ilustrando isto, tenho uma historianha caseira. Na época que mais convivi com vegetarianos, foi quando participava de projetos de extenção com o professor Niltin, que, na época, não comia carne já há 23 anos. Numa das viagens que fizemos de Goiás para o Tocantins, a turma ficou toda hospedada lá em casa e, minha mãe, boa anfitriã mineira e cozinheira de mão cheia, queria agradar, claro. Quando falei que Niltin era vegetariano, ela ficou completamente perdida. O que eu vou fazer para ele comer? Eu: Uai, mamãe, tudo o que você sempre faz Arroz, feijão, salada, legumes cozidos. O Niltin só não come carne.

Aí, decidiu que faria especialmente para ele o prato dela que mais se aproximava do que ela acreditava ser um prato vegetariano: uma farofa maravilhosa de banana com maçã. Mas ela não levou em consideração o bacon. Para a minha mãe, bacon e paio são só mais um tempero, como orégano ou noz moscada. Tudo lá em casa tem uma pitadinha de bacon: o feijão, os picadinhos de legumes, as farofas, os caldos.  Ela nem se deu conta. E o Niltin também não, pois entrou com vontade na tal farofa, elogiou, comeu mais. Eu, que comecei a almoçar um pouco mais tarde, na hora que coloquei a farofa na boca e notei o bacon, pensei: F-O-D-E-U.

Mais tarde, Niltin passou mal (de leve), mas me mantive fiel à minha mãe e nada falei. Niltin até hoje não sabe que teve overdose de bacon e achei melhor ele manter a crença que ainda era uma pessoa pura.







4 comentários:

A Macaúba disse...

Fiquei três meses sem comer carne depois que vi A Carne é Fraca.
...
Mas aí achei que a vida já era complicada o bastante sem essa restrição.
Mesmo assim. Pelo menos diminuir o consumo de carne é algo que todos devemos ter em mente.

Camila Monteiro disse...

Uma vez na faculdade eu assisti um video chamado "A carne é Fraca", esse video falava do mal trato para com os animais e o quanto eles sofriam na hora do abate (isso é claro em lugares candestinos e nao nos frigorificos regularizados) Mas mesmo eu tendo a certeza de comprar a carne em um lugar serio, fiquei 5 meses sem conseguir colocar nem presunto na boca!!!
Depois acabei voltando a comer, mais por causa da praticidade mesmo porque todo lugar que vc vai tem arroz, feijao e carne. Dai ficava dificil, mas isso tudo serviu para eu mudar minha visao do vegetarianismo. Hj sei que se um dia eu tiver condicoes (financeiras) com certeza eu tentaria novamente!!!
Adorei o post!!! beijos

Cecilia Santos disse...

Eita vida difícil!
Mineiro sofre em dobro, porque como você disse Rafa, bacon no feijão é tempero! Fazer a família perceber isso é difícil... Quantas férias passadas em Minas eu já não fiquei a base de miojo e saladas?
No Tocantins tbm não é diferente... Almoçar na casa de amigos é sofrimento, pra mim - que fico sem graça em dizer 'não, obrigado, não como carne', e para eles - que nunca sabem o que fazer para agradar ou pelo menos SACIAR!
Sobre os restaurantes por aqui, isso dá pano pra manga. A tendência do vegetarianismo pegou geral. Muitas franquias no mundo já estão entendendo isso, até MCDonalds se rendeu! Tá passando da hora do Tocantins tb perceber isso.
Enfim, excelente história. Já passei por isso tbm, comi um suflê que era de frango sem saber, achei o gosto ruim, na hora não falei nada, mas depois passei muito mal.
Acontece, tropicos da vida de quem é vegetariano.

erickgoes disse...

Saudações
Conheço um lugar bem familiar que oferece um cardápio excelente vegetariano

Reservas pelos fones: 3214 - 2085 ou 84589930
Endereço: 804 SUL - AL 13 - LT 76.

Chama-se Le bistro des amis
de meu amigo Casa Grande

Fica aí a sugestão para a galera de Palmas ;-)