terça-feira, 25 de novembro de 2008

Filmes e recordações da minha vida

Eu tinha cinco anos quando entrei pela primeira vez numa sala de cinema. Era o Cine Brasil, na Praça 7 de Setembro, em Belo Horizonte. Era um daqueles cinemas grandes e antigos, do tipo teatro, com dois andares de cadeiras. Destes que hoje viraram alguma igreja evangélica.

Para uma menina de cinco anos, magrinha e elétrica, tudo era novo, escuro e fascinante. Ainda existiam lanterninhas e lembro com clareza da minha mãe me puxando pela mão e pedindo pra eu seguir o moço com a luzinha. Mas eu não tirava os olhos era da tela enorme em frente as cadeiras.

Muita emoção para um dia só. Conheci o cinema assistindo a um dos que viriam a ser o clássico do cinema americano e dos efeitos especiais: E.T. - O Extraterrestre.

Me apaixonei não só pelo alienígena baixinho, com dedo brilhante que queria voltar para casa, mas também pelo Spielberg. Tá, na época eu não tinha a menor noção de que existiam diretores, produtores, atores e tudo o mais por trás de um filme. Mas serviu bem como referência.

Daí para frente, por mais que frequentasse o cinema, os filmes que me causaram grande impressão não foram assistidos nas telonas. Me foram humildemente apresentados na Sessão da Tarde ou no Corujão.

Aliás, a primeira vez que fiquei sem sonho para assistir uma Corujão, por volta dos meus doze anos, me deparei com nada menos que Poltergeist (mais uma vez, Spielberg). Lembro que, apesar de estar sozinha na sala, em frente à televisão, não conseguia deixar de ver. E daí, começou uma paixão momentanea: livros de terror. Não via muitos filmes, mas devorei uma boa quantidade de livros de terror que viraram filmes depois. Mas foi só uma fase. Hoje não gosto mais nem dos livros, nem dos filmes. Mas assisto Supernatural!

Este post é só para inaugurar mais um quadro do blog, porque achei que daria para escrever só um post, mas quando fui listar os dez filmes que mais me impressionaram na vida, vi que não dá pra parar em dez.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Desabafo de mãe

Quadro "Brincadeira de Criança" do artista plástico Ivan Cruz


Eu moro em Palmas desde 1993 e, naquela época, eu não tinha nenhuma pretensão de ser mãe. Andava nas ruas despreocupada pela madrugada à fora, sem me dar conta de que minha mãe, que já era mãe, se preocupava com isto e ... sofria. Não demonstrava, mas sofria. E a Palmas daquela época nada tinha de assustador, pelo menos por aqui no Plano Diretor, onde mal assaltos eram registrados.

Hoje, diferenças enormes pela cidade que já tem seus inúmeros casos de estupros, assassinatos e desaparecimentos. E hoje, eu sou mãe. Agora chegou a minha vez de me preocupar e.... sofrer.

Não ainda com os assassinatos, assaltos e estupros. Meu filho ainda anda comigo ou com um responsável, ainda não se aventura sozinho pela selva. Mas não é só aí que uma mãe se preocupa. Também nos preocupamos exatamente com isto. Tenho um filho sozinho, sem amigos além da escola, o que frustra demais uma mãe que foi criada jogando bete na rua. Eu aprendi a andar de bicicleta na rua, a traçar um garrafão, a pular corda e elástico, a ganhar malícia nas negociações de troca de figurinhas nos jogos de bafo.

Meu filho está aprendendo que a rua é feia, má, perigosa. Que a televisão salva e que os heróis da TV são os únicos capazes de superpoderes. Eu testava meus superpoderes em rampas improvisadas de madeira para o patins. Para ele, um braço ralado é ferimento demais para que ele possa suportar. Para mim, joelhos ralados, olhos roxos, tampos de dedão arrancados no asfalto por tentar chutar sem tênis uma bola, eram troféus. Cada cicatriz na minha canela tem uma história. As canelas do meu filho ainda são cadernos em branco.

Não sei se nos outros bairros desta cidade acontece a mesma coisa. Mas na minha quadra existe uma praça maravilhosa. Certo. Ela tem pinheiros. Nada típico daqui. Nada a ver com o clima tocantinense. Eu abria a janela do meu quarto e, caso tivesse um ar condicionado, poderia pensar que estou em Nova Iorque, frente ao Central Park. Só por aí, já é possível uma boa dose de fantasia. Mas não existem crianças brincado nesta praça. Porque? Eu não sei. Posso te dar várias suposições, mas não sei explicar.

Houve época em que ela tinha crianças. Meu filho deu seus primeiros passos e desceu de escorregador por ali pela primeira vez. Quando ainda existia um parquinho, com um círculo de areia branca e sem cacos de vidro.

Como pode uma cidade perder um espaço destes? Uma praça não é só um enfeite. Deveria ser um espaço de convívio social, mas os condomínios fechados, com seus playgrounds internos mataram a praça e a infância das crianças da quadra.

Decidi mudar esta realidade. E agora estou atrás dos vizinhos que eu conheci empurrando carrinhos com os bebês que ainda puderam aproveitar a sombra dos pinheiros. Estes bebês hoje já tem cinco ou seis anos de idade. Eles já podem ter turminhas para brincar de pega-pega na praça enorme. Então, vamos juntar esta molecada. A praça é perigosa? Vamos exigir policiamento. A praça é suja? Vamos limpá-la e exigir a conservação.

Não. Porque não? Os pais não têm tempo. A semana é corrida, trabalho, faculdade, pós-graduação.

Vamos continuar a enjaular nossas ferinhas? Não! Vamos lutar por este espaço!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Primeiro podcast: uma piada!!!

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O meu primeiro podcast é, na verdade, uma piada. Há tempos que estou tentando entender o que é podcast, como fazer, como postar e tudo o mais. Aí, fui ajudar um amigo a fazer um trabalho para a faculdade, um comercial de rádio. Ficou triste, como vocês podem conferir aí em cima! Eu nunca tive muita vocação para o teatro, quanto mais para a radionovela. Rimos muito para fazer este trechinho de comédia. E ele sugeriu: Põe no seu blog, como podcast.

E aí está. Isto nem é um podcast, é só um treino. O conceito de podcast é muito maior. Mas espero que tenham gostado dos guarda-chuvas Bella Umbrella.

Em breve, trarei um podcast de verdade, com uma explicação do conceito (não muito chata) junto com um tutorial de como fazer!!!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O que Deus não me deu, o photoshop arranja!

Desde que entrei na adolescência, eu sempre fui gordinha, alternando períodos de magra (não excessiva) por causa de algumas dietas da moda e até mesmo por uma reeducação alimentar, não tão reeducada assim, já que voltei aos quilinhos a mais depois de oito meses no meu peso ideal.

Nos meu sonhos, eu sempre tenho um corpão. Mas nada de supermodels magrelas semi-esqueléticas. Eu sempre preferia as mulheres de quadrinhos. Aquelas com o corpo sarado, pernas longas, coxas poderosas, um super bumbum e peitos perfeitos. A Druuna, minha ídola, morreria de inveja caso eu aparecesse na vida real como apareço nos sonhos!



Esta é Druuna. Uau.

Mas as novas tecnologias estão aí para nos ajudar a realizar (parte de alguns) sonhos e, eu, que não sou lá uma mestre do photoshop pude me ver num corpão rapidinho, sem muita burocracia com a ajudinha de uns sites bem legais que estão fazendo sucesso. E, voilá, cá está a Rafaela Perfeita.

Agora, se você também quer ter uma boa idéia de como ficaria na capa da Vogue, ou no corpo da sua atriz favorita, ou ainda uma grande foto num outdoor na rua, simples. É só dar um pulinho nos sites www.faceinhole.com (em português) ou no www.photofunia.com (em inglês) e se divertir! Dá para sacanear com parentes, amigos e colegas de trabalho também, colocando eles mas maiores encrencas visuais.

Quanto a mim, estou de novo de dieta e fazendo caminhada. Quem sabe o corpo dos meus sonhos não esteja tão longe!


sábado, 25 de outubro de 2008

Recliclar é preciso e útil


A pouco tempo atrás, meu monitor do computador queimou. Peguei o de uma amiga emprestado e o monitor queimado ficou enconstado num cantinho da casa, junto com outras coisas inúteis com as quais não sei o que fazer: dois ventiladores queimados, um microondas que não funciona (herdado de minha mãe), alguns móveis sem pé, outros sem porta, outros só feios mesmo e não cabiam mais dentro de casa.

Neste sábado de faxina, resolvi dar um fim a tudo isto, mas o destino não poderia ser o lixo. Acho um puta desperdício ou falta de senso jogar colocar um monitor e um microondas na porta de casa para o lixeiro levar. Pensei logo em reciclagem, liguei nos sucatões e "reis da latinha" e descobri que nenhuma das minhas quinquilharias tem valor para eles. Argumentei que não precisariam me pagar, que poderiam simplesmente vir pegar, eu só queria me desfazer deles, mas que o destino não fosse o aterro sanitário. Os ventiladores para eles valem só a parte do motor, por causa do cobre, os pés e toda a estrutura, eles nem se dão ao trabalho de levar. Ainda não resolveu o meu problema. Uma amiga me deu a dica de ver no Banco Real, que parece que além de reciclar pilhas e baterias, também recolhe material eletrônico. Vou ligar na segunda-feira para saber.

Se tudo o mais falhar, vou pôr mãos à obras, comprar tinta e materiais e eu mesma farei meu processo de reciclagem. O primeiro projeto já está na cabeça. Meu monitor vai virar aquário!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eu nunca tive um All Star


Uma das minhas maiores frustrações podólogas foi nunca ter tido um All Star. Não é falta de oportunidade, mas simplesmente o tênis mais conhecido do mundo não fica bom no meu pezinho de pão. Pés gordinhos não ficam bem dentro do All Star. Eu tentei usar o de cano baixo, de cano alto, de cano muito-alto-lá-no-joelho, mas simplesmente não me atraía a imagem do All Star no meu pé. Acho o tênis fantástico em toda a sua versatilidade e invejo profundamente as pessoas nas quais os pés se encaixam perfeitamente a este símbolo de rebeldia. Este post é uma homenagem ao centenário do All Star.

Em 2008, esta peça qu
e já andou (literalmente) nos pés de vários famosos completa cem anos de criação. Tudo começou em 1908, na cidade norte-americana de Maldens, Massachusetts. Foi lá que o empresário Marquis Mills Converse abriu a "Converse Rubber Show Company", empresa dedicada à produção de calçados de borracha.

Em 1910, a empresa já produzia cerca de 4 mil pares de sapatos por dia. Em 1917, a companhia desenvolveu uma linha de calçados esportivos feitos de lona e sola de borracha. Apaixonado por tênis esportivos, o jogador de basquete Charles "Chuck" Taylor juntou-se à companhia em 1921 e sugeriu duas mudanças fundamentais no design All Star: reforço no calcanhar, para melhorar o apoio do jogador, e fissuras no solado, para diminuir a derrapagem nas quadras.e aí começava toda a história dos mais variados modelos de All Star.

Uma prova de que o All Star ia além das fronteiras geográficas e ideológicas foi que durante a Segunda Guerra Mundial, a Converse modificou sua linha de produção e criou a bota "A6 Flying" para atender aos pés dos soldados americanos no front. E, nos anos 60, os calçados tornaram-se comuns nos pés dos estudantes universitários que protestaram contra a Guerra do Vietnã.

Nem sei por onde começo a falar qua
ndo o tema são os famosos que não largavem seus surrados All Star por nenhum outro sapato de griffe. Dentre os famosos, tem personalidades que vão de Lady Di até o grunge Kurt Cobain.

Aqui no Brasil, a marca faz sucesso desde 1980 e já ganhou até música. Nando Reis escreveu a música "All Star" para a cantora e amiga Cássia Eller. A música foi lançada na voz de Cássia no álbum póstumo "Dez de Dezembro", em 2002. A letra da música diz que "Seu All Star azul combina com meu preto de cano alto".

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Falando em cano alto, este não é um dos modelos preferidos dos brasileiros, não. Por aqui reinam absolutos os clássicos de cano baixo preto, branco e vermelho. Mas a não é por isto que a fábrica deixa de inovar e existem mais de 1.200 modelos à venda no país.


Em 100 anos de existência, o All Star já
bateu a marca de 1 bilhão de pares de tênis vendidos em 160 países.

Menos o meu par. Mas acho que chego lá, porque na minha nova paixão por sapatos de salto alto, a All Star também não se esqueceu e criou um modelo ideal.

domingo, 12 de outubro de 2008

Dia das crianças - a visão de cá

Quando meu filho fez 3 anos, eu entendi que já daria para ele aproveitar com gosto o Dia das crianças, juntei uma boa grana, que daria para comprar muitos brinquedos ou "O Brinquedo". Meu irmão se ofereceu para ir junto e apresentar as opções do mundo masculino que eu, como mãe solteira, poderia não saber dar. Na verdade, ele ficou com medo que eu repetisse o feito em que deixei o Ian comprar uma coleção de livros infantis que falavam de bonecas.

Enfim, fomos juntos com a criança à loja de brinquedos, fascinados com a idéia de poder dar a ele qualquer das coisas que queríamos quando crianças.

Meu irmão foi logo apresentando a pista de autorama mais cheia de frescuras possíveis:

- Olha aqui, Ian! Esta é massa! A gente pode montar e ficar o dia inteiro brincando com os carrinhos.

Ian olha, inclina o pescoço pro lado, analisa e balança a cabeça:

- Tsc, tsc... quero isto, não.

- E este carrinho controle remoto que vence todos os obstáculos?

- Não.

- Então este baldão de Lego pra gente montar cidades!

- Tsc, tsc.

E seguimos mostrando tudo o que achávamos que ia agradar e só o que a gente via era a cabeça dele fazendo que não.

Até que uma hora ele olha pro teto da loja, todo decorado com grandes bolas de plástico coloridas, aquelas que vendem nas feiras, sabe? Apontou para elas e disse com os olhinhos brilhando:

- Nossa! Que bola bonita. É isto que eu quero de presente!

Viro pra vendedora e pergunto:

- Quanto custa a bola?

- Cinco reais.

- Me dá duas.

Ian saiu da loja o menino mais feliz do mundo, tentando abraçar suas duas bolas gigantes.

Eu e meu irmão saímos dois adultos frustrados por serem vencidos pela simplicidade infantil, sem desculpas para comprar pra gente o brinquedo de dia das crianças.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Testes, testes e mais testes



Um dos meus pequenos vícios na internet são os testes de comportamento. Antes da internet, eu já catava todas as revistas femininas dos consultórios de dentistas e passava o tempo lendo os resultados dos testes mais variados. Claro que ganham de longe os que tem a ver com sexo e realcionamentos. De vez enquando, até arriscava uns testes intelectuais da Super Interessante, não me dando muito bem.

O teste "Você é sexy?" eu já devo ter feito umas cem vezes. E os resultados são sempre mais ou menos parecidos, o que me faz crer que os testes funcionam! Mesmo que eu não ache que seja lá esta coisa toda, mas parece que o que eu passo é suficiente pra os homens me olharem uma segunda vez.

Mas com a internet tudo ficou mais fácil. Não tenho que somar pontinhos, nem bolinhas, nem quantas letras "C" eu marquei. É só escolher as alternativas, clicar em cima da respostas e no fim, o botão "Ver Resultado" e plim! Magicamente meu perfil para qualquer coisa é desvendado!

Na minha última pesquisa atrás de sites interessantes de testes de comportamento, encontrei um português com todos os meus temas preferidos. Tirando que é escrito em português de Portugal e eu ter que recorrer ao dicionário de vez enquando, ele é bem interessante. E aumenta o vocabulário! Descobri, por exemplo, que caniche é o mesmo que poodle.

Para quem também é fanático com testes, fica a dica do site
Como Sou.



segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Receitinhas caseiras


Sou adepta das receitas caseiras de beleza. E herdei um bocado delas da minha avó materna. Uma que para mim é infalível é a esfoliação semanal com mel e fubá. Tiro e queda. Já experimentei esfoliantes caros e nenhum me dá a mesma sensação de pele sedosa e tratada que o meu mel com fubá mimoso dá. Quando o mel está muito espeso, ainda pingo umas gotinhas de leite e fica perfeito. Faço a esfoliação pelo menos uma vez por semana, no corpo inteiro. E sempre nas pernas antes de depilar com gilete. O resultado?! Só sentindo, amiga! Em casa, mel é um artigo cosmético. Quase guardo na penteadeira ou na gaveta de cremes e maquiagem.

Outra receita infalível é para os pés ressecados e cascudos (coisa facinha de se arranjar no clima seco e poeirento de Palmas): glicerina líquida e um comprimido de AASS. A gente moe bem o comprimido de AASS, até virar pozinho e mistura na glicerina e passa no pé à noite. Dorme de meia. São dois dias e os pés estão uma seda. Receita da vovó, também.

Aí, fuçando na internet, descobri algo que me deixou surpresa. Sempre achei que as jornalistas famosas da Globo fossem tratadas como as atrizes. Cabelereiros, maquiadores, clínicas de estética pulando sobre elas. Até assistir a um vídeo na internet, do programa Superbonita, da GNT.

Em um depoimento rápido e descontraído, a jornalista Maria Beltrão, que atualmente está apresentando o Jornal da Globo, fala que é extremamente adepta das receitinhas caseiras. Aprendi algumas coisas novas agora, como óleo de amêndoa e bicarbonato de sódio para clarear joelhos e cotovelos. Vou experimentar!!! Confira o vídeo:

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sábado, 27 de setembro de 2008

Desespero de causa

Rodrigo Faro e o auto-denominado "Veloz e Carinhoso" esperando para ser escolhido por alguém


Tenho muitas amigas bonitas, inteligentes, independentes e solteiras. Todas atrás do grande amor, ou só de um romance daqueles gostosinhos, para aquecer o coração e o corpo em noites chuvosas. Nenhuma delas foi parar na televisão para conseguir um namorado em rede nacional. Não sei se se canditariam. Gosto de pensar que não. Mas parece que o mercado está muito ruim mesmo, porque está pipocando de quadros de mulheres procurando namorados na TV. Silvio Santos lançou a moda a muito tempo atrás, com o "Namoro na TV". Mas as proporções aumentaram. Tem em tudo quanto é canal. Talvez também nos religiosos, com namoros aprovados por Deus, ou coisa assim. Não sei, porque não acompanho, mas não deve ser difícil.

Outro dia no trabalho, uma colega , vendo o quadro do programa "Mais Você", chamado "Agora Vai" (o que é ainda pior que 'Namoro na TV', porque soa ainda mais desesperado) disse algo como: Não sei como alguém se presta a um papel destes só para conseguir um namorado. Concordo com ela. Mas quando o quadro vai parar na Globo, as mulheres conseguem muito mais que namorado. Conseguem contratos, visibilidade, quem sabe um programa de televisão numa cidade do interior ou uma coluna de relacionamento numa revista. E a gente perde tempo fazendo quatro anos de jornalismo...

Agora ainda pior foi o quadro que vi neste sábado no programa "O Melhor do Brasil", da Rede Record, apresentado por Rodrigo Faro. O nome do quadro, por si só, já é vexatório: Duelo Fura Olho. Não acreditei na criatividade da produção e muito menos na coragem dos participantes. Funciona assim: dois caras vão disputar quem conhece mais uma determinada mulher, sendo que um é o atual e o outro é o ex-namorado.

Assisti. Boquiaberta. Perguntaram para os dois coisas que vão desde se a mulher gostaria de ter filhos até como é que ela depilava a virilha. E a moça, dentro de uma cabina a prova de som, depois tinha que responder as perguntas, dando pontos a quem respondeu certo. No final do quadro, o ex perdeu feio, ficou com cara de bunda, recebeu um aperto de mão do Rodrigo Faro e foi embora cabisbaixo. A moça e o atual namorado foram festejados, ganharam música tema e se beijaram apaixonadamente no palco sob o som de palmas da platéia. Vitória do amor atual. Derrota para a qualidade do que vemos na TV.


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A chuva e São Pedro


Eu tinha jurado para mim mesma que não ia escrever sobre a chuva. Me recusava a cair no lugar comum de todas as pessoas de Palmas, vibrando com a chuva. Não que eu não esteja vibrando. Tenho em mim também o pensamento sertanejo de Graciliano Ramos, propagado no msn de um amigo: Perto de muita água tudo é feliz. Mas é assim, cai chuva no asfalto de Palmas e todo mundo escreve no blog, nas frasezinhas do msn e nos telejornais também chove, mas em reportagens sobre a chegada da temporada molhada, depois de quase quatro meses de seca.

Tudo bem. Nunca fui boa de acordos comigo, mesmo. Então resolvi escrever não só sobre a chuva, mas também sobre São Pedro.

A chuva este ano não atrasou muito, apesar do calorão destes dias ter nos dado esta impressão. Escrevi sobre a primeira chuva depois da estiagem no dia 20 de setembro de 2007. Descobri que meu blog já serve, senão para os outros, pelo menos para mim mesma, como registro histórico. Segundo a sabedoria cabocla do meu pai, estes cinco dias de diferença não são atraso. É que a chuva obedece ao calendário lunar, e cai sempre dois dias depois de uma mudança de fase. Não é que entramos em quarto crescente no dia 22??? Quase fiquei impressionada.

E este é meu comentário sobre a chuva. Sobre São Pedro, é uma reclamação. Não pelo atraso da chuva ou pelo calor inclemente. Mas pelo horário e a birra pessoal que São Pedro tem com os trabalhadores. Que horas choveu nesta quarta-feira, 24? Por volta das seis da tarde, pegando desprevinidos alguns que ainda estavam voltando do trabalho para casa. Repeteco de chuva na quinta-feira, em pleno meio dia, na hora de sair do trabalho. E assim que ponho meus pezinhos para fora de casa às duas horas para voltar ao trabalho, o que encontro? Chuva!

Liguei para um amigo advogado:

- Posso processar São Pedro por danos morais e patrimoniais?
- Pode, difícil vai ser a gente conseguir chamar ele para depor...

Ai, ai. Como ligo para os representantes dos santos no Vaticano?


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Plágio, imitação ou só troca de idéias?


A gente que é blogueiro e que já se apaixonou por escrever o que vem na telha vive atrás de temas novos. Vira e mexe, fatos comuns do dia-a-dia acabam virando um post. Outra prática comum é bisbilhotarmos constantemente outros blogs de temas que gostamos para buscar inspiração.

Aí, fiquei na dúvida se isto seria plágio, imitação ou só troca de idéias. Gosto de pensar em trocas de idéias, porque mesmo que colemos o texto de outra pessoa nos nossos blogs, estamos levando pensamentos diferentes para os nosso leitores.

Hoje, neste post, vou cometer dois "plágios, imitações ou trocas de idéias". Eu prefiro mesmo produzir meus próprios textos. Mas desde que comecei a escrever no blog, uma amiga disse que meu estilo lembra muito o da Martha Medeiros. Eu não conhecia os textos da jornalista gaúcha e na minha pesquisa para descobrir quem ela é, acabei me apaixonando. Este é um dos plágios. Vou colocar aqui um texto dela. O outro plágio é sobre como vou colocar. No Blog Ainda Sem Nome, do Ferreira Neto, tem uma categoria "Não é meu, mas é bom". perguntei se poderia imitar. Dada a autotização, cá estou eu criando a minha categoria "Plágios, imitações ou trocas de idéias", com um texto da Martha Medeiros que acho quase visceral.

Strip-Tease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.


Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua. "Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.



sábado, 20 de setembro de 2008

Vidrinho de perfume



Minha mãe tinha um vidrinho de perfume minísculo, tão pequeno que, por várias vezes, quando criança, eu colocava ele lá, junto com a louça da casinha de bonecas. E sempre apanhava por causa disto depois. Nunca entendi direito porque o perfuminho era tão zelado, se ela nunca usava e parecia que a tampa era lacrada, porque eu nunca consegui abrir e sentir qual era o cheiro do danado. Só sabia que era perfume porque toda vez que minha mãe dava falta dele, ela gritava: "Maria, cadê o vidrinho de perfume?" Incrível também era ela sempre acertar que o vidrinho estava comingo, nunca com minha irmã.

Um dia, escondida de baixo do pé de tamarindo, que ficava bem no fundo do quintal, no canto do muro e formava uma espécie de caverna, eu consegui abrir a tampa do vidrinho. Lá de dentro não só saiu um dos perfumes mais fabulosos que já senti, como também uma fumaça rosa, densa, que aos poucos foi tomando formato de gente. Uma mulher linda, com olhos cor de mel e cabelos negros amarrados num rabo de cavalo apareceu como que vinda da fumaça, mas bem de verdade, nada parecida com sonho ou os delírios da infância. Ela estava de calça jeans e camiseta branca e tênis, como se estivesse pronta para correr. Tudo o que consegui fazer foi ficar olhando para ela, com a boca aberta e olhos arregalados, enquanto ela sorria, se virava e saía de baixo do pé de tamarindo.

E esta é a última coisa que me lembro antes de sentr a mão de minha mãe me batendo no rosto, enquanto e dizia nervosa: "Maria, Maria? Você está bem?"

Nunca mais vi a mulher. Nunca mais senti o cheiro do perfume. O vidrinho misteriosamente desapareceu e minha mãe pareceu ter ficado feliz com isto.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O caso do prendedor de cabelo encontrado


De uns tempos para cá, tenho pego carona com meu pai para ir almoçar. Alguns dias atrás, no caminho, encontrei um prendedor de cabelo, destes tipo piranha. Não é o estilo que eu uso, geralmente neutro, mas era bonitinho. Alaranjado com verde e com a palavra "love" inscrita. Bem infantil. Depois de me pegar, meu pai passa na escola do meu filho. Mais uma carona. Aí, o Ian viu o prendedor de cabelo diferente que eu tinha prendido na alça da minha bolsa.

- Mamãe, de quem é este prendedor?
- Não sei, Ian. Achei na rua.
- E você não devolveu para quem perdeu?
- Era um lugar de muito movimento, muita gente passando. Não tinha como achar o dono.
- Porque você não perguntou pras pessoas?
- Porque era muita gente e eu tinha que vir te buscar na escola, não é?
- Posso levar o prendedor para a minha escola e ver se alguém lá perdeu?

Apesar de a minha paciência estar quase no fim, fiquei admirada por meus ensinamentos de "devolva o que não é seu" terem sido muito bem compreendidos.

- Ian, o lugar onde achei o prendedor é muito longe da sua escola. Acho difícil que você encontre o dono lá.

Ele sossegou com o argumento e ficou calado todo o resto do caminho. Chegamos em casa, arrumei o almoço, coloquei um Ian ainda calado e pensativo para tomar banho. Na hora de colocar a roupa para seguir para o centro de atividades infantis, ele vira com esta:

- E se a gente fizer um cartaz com a foto do prendedor e espalhar pela cidade?

Olha, só não cedi ao pedido, porque não tenho impressora em casa. Mas cheguei a me visualizar no trabalho, tirando xerox de um cartaz com a foto do prendedor tirada no celular e escrito assim: Procura-se dona de prendedor de cabelo, laranja e verde, de nome "love". Favor entrar em contato pelo telefone....



segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Abaixo a nudez (de novo)

Tá, eu sei que já escrevi sobre o tema antes, mas de novo, meu censor agiu de forma a cortar o meu barato e, como todo censor, restringir a minha liberdade. Depois de toda a conversa que tive com meu filho, o senhor censor, e inclusive relatada no post "Crianças também teorizam regras", consegui (ou pensei que assim fosse) convercer a criança de que nada havia de mal em andar nu pela casa, estando aqui só eu e ele. Até que veio a hora de dormir desta segunda-feira de feriado da padroeira do Tocantins. Quem mora em Palmas, sabe. Aqui está um calor não vencido nem pelo ar condicionado. Eu, que não tenho o aparelho em casa, sofro ainda mais. E me deparo com o seguinte diálogo:

- Ian, tá na hora de dormir.
- Você não vem dormir?
- Vou terminar de escrever aqui e já vou deitar.
- E você vai dormir pelada?!

Paro. Respiro. Conto até 10. Melhor, 15. Respiro de novo.

- Ian, a gente já teve esta conversa. Você dorme de cueca, porque eu não posso dormir de calcinha, num calorão destes?!

- Ah, não! Não vou dormir com nenhuma mulher pelada, não!!! (queria MESMO gravar esta frase e mostrar para ele daqui uns anos)

Silêncio.

Fui ao banheiro tomar a milésima ducha fria do dia. Quando volto, está o Ian deitado na cama completamente vestido.

- E agora? Você põe roupa para dormir?

Putz.

Quero um quarto só pra mim ou uma bolsa para um internato na Suíça.



Figura: ainda de Fernando Botero.



sábado, 9 de agosto de 2008

A noiva de Frankenstein


Lá pelos idos dos anos dois mil e pouquinho, eu era uma pessoa que acampava. Tínhamos uma turma bastante animada que botava o pé na estrada com a mochila nas costas, pedia carona e subia a serra do Lajeado, que enfeita o lado leste de Palmas.

Numa brincadeira de acampamento, no meio da subida mais puxada do caminho, os rapazes do grupo resolveram montar a mulher perfeita a partir de nós, as amigas.

E aí foi. As pernas de fulana, a bunda de cicrana, os peitos de não sei quem.

Até que um amigo me colocou na roda: E o cérebro da Rafaela. Não, não. O cérebro dela não pode, porque a mulher perfeita não pode ser inteligente.

E eu pensei: Putz, o meu único atrativo é um cérebro e que logo é descartado!

Mas, passado o choque de não ter nada muito chamativo na minha aparência, pensei: Peitos e bundas sem cérebro, não funcionam! Então, estou muito bem com meus peitos , bunda, pernas, boca, rosto que não são feios nem extremamente atraentes, mas que fazem um conjunto perfeito com o meu cérebro e são muito bem usados.


sábado, 2 de agosto de 2008

Crianças também teorizam regras


Depois de meu longo período dividindo casa, sendo abrigada na casa de amigos e coisas afins, finalmente, tenho minha casa. Assim, não totalmente minha, divido a casa com a minha irmã mais nova. Mas ela quase que não fica aqui. É uma mulher esforçada, moderna e compromissada. Faz faculdade em uma cidade próxima pela manhã, trabalha no estágio à tarde, aqui em Palmas e estuda num cursinho à noite, para tentar entrar pra medicina. Além disso é noiva e passa mais tempo na casa do noivo que aqui. Enfim, eu praticamente moro sozinha com o Ian, meu filho de cinco anos.

Desta forma, resolvi colocar em prática um sonho antigo, da minha época semi-hippie e praticar o naturismo dentro de casa. Mas lógico. Achei um censor. Mesmo nunca tendo contado para ele que ficar nu fosse certo ou errado, o Ian mesmo já produziu suas próprias regras.

Aí, um lindo dia eu, no computador, passeando pela internet, chega meu censor: "Mamãe, você não pode ficar pelada em casa, porque a "sencidade(?!)" dos adultos é diferente das crianças. Se você fica pelada, sua régua quebra".

Sencidade?! Régua?!

Não sei o que ele quis dizer com estas palavras. Mas botei fé no uso de neologismo para defender e argumentar a favor de seu ponto de vista. Julguei que sencidade fosse sensibilidade e régua, fosse regra. Mas ele conhece as palavras sensibilidade e regra. Então, não havia como fazer confusão. Perguntei o que significava sencidade. Ele, em toda sua sabedoria infantil, disse: Sencidade, oras!

Então tá, né?

Tela do artista plástico colombiano, Fernando Botero


domingo, 27 de julho de 2008

O retorno

Estou de volta à rede. Parece que voltei de uma longa viagem ao campo, sem eletricidade e alimentando as vacas. Gente, muito tempo longe da internet. Tive crises de abstinência e até de identidade. Devo admitir que não ter internet ampliou mais o meu tempo para outras atividades. Sim, agora sei que devo restringir um pouco o tempo na rede.

Numa festa de aniversário, eu estava tentando explicar porque sou tão viciada. Não fico exatamente o tempo inteiro em frente ao computador. Sou uma mulher classe média (baixa, bem baixinha...rs...) normal. Eu lavo roupas, passo, cozinho, lavo louça. Sou mãe, cuido de criança, arrumo lanche, material escolar, brincadeiras. E é aí que a internet entra. Em tudo!

Estou lavando a louça. Tem uma frigideira que passei uns hamburgueres que está hororrosamente grudada de gordura. Vou pesquisar no google o que posso fazer pra limpar. Não sei o que fazer de almoço, pesquiso os sites de culinária. Estou sem idéias de brincadeiras para preeencher uma tarde tediosa de uma criança hiperativa? Internet. E assim vai. Uso a internet para tudo. E isto sem falar na baixação desenfreada de séries e filmes, que eu adoro.

Para comemorar a volta, mudei a cara do meu blog de novo. Já estava cansada do amarelo icterícia de antes. Não tem jeito, gosto mesmo é do fundo branco com letras cinza. Mas assim que estudar mais um pouquinho, provavelmente mudo de novo.


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Essa Metamorfose Ambulante


Desde que eu tenho consciência da minha vida, eu me mudo. Meu pai é engenheiro civil e por muito tempo trabalhou em empresas que tinham obras espalhadas pelo país. Ele bem que tentou não mudar para muito longe e ficamos sempre entre Minas Gerais (terra natal de minha mãe) e Goiás (terra natal de meu pai, na parte que hoje é Tocantins). Uma vez por ano, no mínimo, estava eu e meus irmãos à escolher os brinquedos que iam ficar, os que não serviam mais e teriam que ser dispensados para a gente mudar, senão para outra cidade, pelo menos para outro bairro.

Eu tenho superado meu próprio recorde em mudanças, trocando de casas três vezes nos últimos seis meses e ainda não acabou. Mas contar isto neste post não ia caber. Tem toda uma explicação complexa, envolvendo desde separação dos pais até falta absoluta de grana.

Mas em mudanças, a gente sempre esquece alguma coisa, deixa pra trás. O botijão de gás, o chuveiro elétrico, a tampa do vaso daquelas fofinhas, que o próximo morador provavelmente vai usufruir.

Na minha família, em termos de recordes de mudanças e percas, o recorde é da minha avó materna. Minha avó tem sangue cigano em algum lugar. Se ela não se muda de casa pelo menos uma vez por ano, ela muda então, os móveis de lugar, troca de quarto, muda a sala de jantar pra a sala de estar e coisas assim. Em uma das famosas mudanças de minha avó, em que ela voltava de Pará de Minas para Belo Horizonte pela segunda vez, o caminhão de mudança ia na frente e o carro da família atrás, acompanhando. Numa curva, a porta de trás do caminhão se abre e uma caixa grande cai pela estrada que contorna uma montanha e sai rolando ribanceira abaixo.

Pára caminhão, pára carro, minha avó, 70 anos, sai do carro, desesperada, diz que vai descer a ribanceira para buscar as coisas dela que iam se espalhando entre pedras, grama e terra até o vale lá embaixo. Desce avô, tios e netos, seguram a velhinha, tentam acalmar, colocam de volta no carro, convencem a seguir viagem. “Provavelmente é uma caixa das que só tem coisas de cozinha, mãe. Foram as últimas que colocamos no caminhão”, tenta consolar minha tia. “Não, aquela é das caixas que tinham de tudo, ai meu Deus!!!”, responde minha chorosa vovó.

E isto era uma frase profética, porque desde então, passados 4 ou cinco anos desta história ainda podemos perguntar: “Vó, cadê aquele álbum de fotografias que tinha eu e todos os primos na chácara no ano que deu aquele monte de manga?” A resposta estava na ponta da língua, ela nem se atrevia a ir procurar. “Ah, minha filha, esta foi uma das coisas que foram na caixa”....

Mais do mesmo por Ferreira Neto
Mais do mesmo por Daianne Fernandes


segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sobre vícios




Odeio vícios. Pode ser charmoso fumar, divertido beber, alternativo usar drogas que alteram a consciência e até mesmo algo de mentes brilhantes cheirar cocaína vez ou outra. Mas o que mais me pega no vício não é morrer de overdose, não é pensar no que meus pais vão dizer, nem é ser presa. O que me mata é a falta de liberdade que o vício trás. Vício engessa a gente, deixa o mundo sem graça quando não temos a droga á disposição. Quem é viciado, não vive sem o vício. Tenho pais fumantes e já vi os dois bringando em festa por causa de bitucas pisadas de cigarro. E isto marcou bem. Tenho horror á cigarro.

E aos outros vícios. Passei boa parte da minha vida fugindo deles. Quando criança, eu chupava chicletes e balas, mas ficava me policiando para que isto não fosse além da diversão. Isto porque, antes de chicletes ou balas, eu tinha passado pelo álcool. Feio de se contar, (talvez agora, mas contei isto como vantagem por muito tempo) mas meu primeiro coma alcóolico foi aos sete anos de idade, furando tampinhas da coleção de cachaça do meu pai. Mas depois disso, só fui beber aos 18 anos e só vinho e muito de vez enquando.

Conheci a tal maconha bem cedo, aos 13 anos, mas nas mãos de uma amiga mais velha que ia fumar pela primeira vez e me queria como testemunha. Não cheguei nem muito perto, como medo que o cheiro me pegasse. Não pegou.


Na faculdade, tive amigos que me apresentaram todo o cardápio possível das drogas antigas, das novas e das alternativas. Eu acompanhava, brincava, ia ao pasto da faculdade de agronomia buscar cogumelos para o chá, mas nunca tomei. Era a maluca mais cara limpa do curso de comunicação.


E foi na universidade que comecei a beber pra valer. Mas mesmo a bebida não era um vício. Acho que gostava mais de falar que bebia pra valer do que realmente beber Ia a algumas festas e não bebia absolutamente nada. Ou leite. E me divertia da mesma forma.


Mas hoje, me confesso viciada. Totalmente. E a falta da droga está me deixando mal. Passo por crises de mau humor. Momentos de devaneios no meio do dia. Grandes ascessos de sono no meio da tarde por falta da droga. E grandes crises de insônia no meio da noite, sentindo falta da "marvada".


Os problemas começaram assim que me mudei para o apartamento do meu pai, na última quarta-feira. No apartamento, minha gente, não há internet á cabo!!! Só wirelles!!! E o meu computador não é assim tão avançado. Então, só poderia acessar do trabalho, certo? Errado!!! Entrei de férias! Então, compre uma placa, certo? Errado! Cadê a grana para a placa?! Sou uma viciada prestes a vender os brincos de ouro que ganhei da madrinha para alimentar meu vício.


Neste momento, mato a crise de abstinência escrevendo do notebook do meu pai, que gentilmente deixou que eu ficasse com ele enquanto ia visitar uma amiga. Espero que demore bastante!!!

P.S.: Meu computador (que eu amava tanto) está no canto, magoado, me olhando com um olhar sentido... mas para mim, não passa de uma ferramenta inútil no momento.


sexta-feira, 27 de junho de 2008

O Futuro não é mais como era antigamente



Nem a ficção científica conseguiu prever que a tecnologia seria renovada tão rápido. Há muito tempo atrás agora são dois anos. E lembro que há muito tempo atrás (2 anos) comprei caro de um amigo meu primeiro mp3 de um giga! Ninguém no meu grupo de amigos tinha um. Era tecnologia de última geração. A última geração de seis meses.

E é quase impossível falar de futuro para quem tem filhos sem citar os pimpolhos. Meu filho nasceu praticamente em frente ao computador, foi apresentado aos bisavós via webcam. Ele provavelmente não vai se chocar, como eu, com a revolução tecnológica que acontece a cada dois meses.

Mas eu me choco. E meu filho é o que mais me choca com estas coisas. Um dia, levei ele para o trabalho comigo. Estávamos sem Internet, a rede interna estava em manutenção e eu tive que passar um arquivo de um computador para o outro. Procurei uma pen drive (que nunca tinha ouvido falar até uns 3 anos antes). Nada. Tive que recorrer a um velho e horroroso disquete. Meu filho vira e pergunta: Mamãe, o que é isto na sua mão?!


Mais do mesmo por Ferreira Neto
Mais do mesmo por Daianne Fernandes


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Post especial de 30 anos

Post especial de 30 anos
(não do blog, mas da autora)

Acordei meia noite e um como se meu cérebro tivesse um despertador interno para me avisar: Bem vinda aos 30!!!

Um grande amigo me definiu como protótipo da mulher do século XXI. Mãe solteira, profissional liberal, inteligente, resolvida (e, não só num sentido geral como também sexualmente resolvida) e... emocionalmente confusa. Não consigo nem escrever a frase sem rir por dentro. O emocionalmente confusa, para mim, não é uma questão de idade. É mesmo uma questão de ser mulher. E do século XXI, com um monte de portas abertas pelo pós-feminismo e com ainda com algumas travas das nossas tataravós.

E cá estou eu. Trinta anos. Insone em frente ao computador (sem Internet!) para um breve debate comigo mesma sobre os valores da idade. E, afora toda a segurança que tenho alardeado aqui pelo blog, os trinta trazem uma certeza grande e esclarecedora: sim, minha amiga, você agora é mulher. Nem todos os jogos infantis com meu filho numa tarde de domingo vão trazer de volta a criança que eu fui. Posso me sentir alegre como uma às vezes, meio infantil em algumas situações e frases, mas a mulher é mais poderosa.

Será isto mesmo? Ou a sensação é porque desde Balzac que a mulher de trinta virou um símbolo de maturidade badalado e alardeado em Bridget’s Jones e Carrie’s Bradshaw? Meu poder balzaquiano é uma criação do marketing?


domingo, 22 de junho de 2008

Sobre fim de semana e séries americanas


Sou viciada sim, em alguns seriados americanos. E, há algum tempo atrás, acompanhei na TV à cabo, o famoso Sex and the City. Mas não com freqüência e nem na ordem correta dos episódios, o que me fez perder algumas coisas. Com o lançamento do filme, aproveitei para baixar da Internet todas as temporadas e assisti-las antes de ver o filme que, segundo as sinopses, é o encerramento da série.

Portanto, meu sábado, tirando a festa junina do trabalho, foi mais um daqueles encontros comigo mesma, só que desta vez, acompanhada por Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha, numa grande maratona, para terminar as seis temporada. Parece que o domingo vai seguir o mesmo ritmo.

O que mais me impressiona quando assisto aos episódios (e sei que esta é a intenção da série) é que me identifico muito com as situações. Não só da Carrie, como da Miranda e da Samantha. Charlotte não faz muito o meu estilo. E, segundo os testes (sim, sou viciada em testes de revista e sites, também), em Sex and the City, eu sou uma Miranda Hobbes. E piora a semelhança depois que ela tem um filho de um melhor amigo. Sou eu. Talvez não tão cínica, nem tão dedicada à minha carreira e nem tão organizada financeiramente (nesta parte, confesso, estou mais pra Carrie, mesmo).

Parte do que me impressiona está na idade. Putz, como sou trintona. E, oficialmente, só entro na casa dos trinta na quinta-feira, 26. Elas já estão caindo para os quarenta.

O que me faz pensar: sou mesmo tão vivida assim?


sexta-feira, 20 de junho de 2008

As férias ideais



Confesso. Fui eu que sugeri o tema da semana, porque faltam apenas 10 (dez) dias para as minhas férias. E não tiro férias para mim, para única e exclusivamente curtir, há cinco anos. Mas agora, em frente à tela em branco, parece que escrever sobre as férias ideais é como voltar para o primário e descrever como foi a viagem com a família no último mês de julho.

Achei que no final das contas, não fugisse muito disto mesmo, não. Antigamente, as férias ideais tinham o mesmo gostinho que as férias tinham na infância. E naquela época, eu nem tinha que fugir das dívidas! Mas as férias eram especiais pelo simples fato de sair da rotina, de conhecer gente e lugares novos.

Agora, acho que emperuei de vez. Depois dos scarpins, se o dinheiro deixasse, eu me apaixonaria pelas férias de luxo. Nada de mochila nas costas e pé na estrada pedindo carona. Coisa mais démodé. Setentista. Irc.

Iria para as minhas férias ideais de avião, em poltronas largas da primeira classe (que só conheço de anúncio de revista). E as férias seriam divididas em etapas. Primeiro, eu teria que entrar em forma para poder aproveitar tudo com alto astral e corpo em forma. Escolheria um Spa em alguma ilha da Indonésia ou na China (clique aqui e morra de vontade). Renovada toda a minha luz interior, agora, como toda boa brasileira, eu iria às compras!!!

E não em Paris, nem Nova Iorque. Minhas compras são de coisas exóticas. Achar o xale perfeito de seda indiana numa loja escondida num bairro de Nova Déli. Os lençóis de algodão egípcio escolhidos na Cidade do Cairo. Aí, por mais perua que eu tenha me tornado, nada me faz deixar pra lá a vontade de explorar as cidades com minúcias de pesquisadora, não só com o olhar de turista. Teria que provar as comidas estranhas, conversar com as pessoas, perguntar detalhes da língua, absorver a cultura local.

Mas é claro que as minhas férias de daqui a 10 dias não vão ter nada disto. É bem possível que eu vá parar em Taquaruçu por uma semana pra recarregar as baterias. Com alguma sorte, eu consigo arrumar meu cartão de crédito e divido em 12 vezes um pacote para Porto de Galinhas.

E aí, as férias vão ter um outro prazer. Vou aprensentar o mar pro meu filho! Fico ansiosa só de pensar no rosto dele vendo aquele tanto de água. Da cara feia, quando sentir que a água é salgada. Da empolgação, quando perceber que mar é movimento contínuo tanto quanto ele.

E no fim do dia, queimados de sol, cansados de mar e areia, dormir sem pensar em mais nada além da temperatura da água de coco no dia seguinte.

Mais do mesmo por Ferreira Neto
Mais do mesmo por Daianne Fernandes (que não postou o texto de novo)

sábado, 14 de junho de 2008

Sobre horóscopo


Como a maioria das pessoas, eu não acredito em horóscopo. Apesar disto, sei qual é o meu signo, meu ascendente e não posso deixar de dar uma olhadinha de vez enquando no que os astros têm para mim. Mas gosto mesmo é do horóscopo chinês. Nele, eu sou o cavalo. Indomável, livre. Pelo menos na descrição. Vamos a ela:

Os nativos de Cavalo são muito populares (nem sempre. Sou mulher, acordo de vez enquando mal humorada e de TPM), principalmente pela sua jovialidade. Tem a natureza mutável (no momento, está mais para mudável, mesmo. São quatro mudanças de casa em seis meses. Quase cigana), por isso se apaixona e desapaixona rapidamente. Um aventureiro nato, valoriza acima de tudo sua liberdade. Esse seu amor pela liberdade provavelmente o tirará de casa cedo (é, não foi meu caso. Só saí da casa de mamãe com 29 anos).

Auto confiante (er... hum.... pode ser) e impetuoso (lembro do meus tempos de desbravadora da Serra do Lajeado). Se encoleriza com facilidade e é muito exigente, mas sabe ceder ás outras pessoas, mas isso não diminui em nada seu bom humor com a vida. Dotado de um extremo poder de persuasão (acredito que se fosse assim, não estaria solteira, no mínimo), gosta que as coisas girem em torno dele (tá, não sou tão egocêntrica assim).

Antes mesmo de saber que meu signo era cavalo, quando criança, minha mãe mandava eu fazer coisas que eu não gostava, tipo: Vai lá, pede benção para sua tia-avó-que-você-nunca-viu-mais-gorda.

A primeira imagem que vinha na minha cabeça era de alguém tentando me pôr rédeas.



sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Pânico do Último Minuto



Jornalista vive de prazos e, geralmente, são para ontem. Já tive stress, fobia, perda de ar e de cabelos por causa de prazos impossíveis, irrealizáveis. A melhor coisa que me aconteceu para superar o pânico do último minuto, foi fazer boletins para o rádio. Sei que texto jornalístico de rádio pode parecer que não exige muita imaginação e inspiração, mas vai tentar resumir no máximo cinco linhas os motivos do impeachment do Collor e você vai entender que é necessário, sim, muita criatividade, vocabulário e jogo de cintura.

Por quase um ano, fiquei responsável por fazer boletins informativos para os locutores da emissora de rádio em que eu trabalhava. Os boletins eram lidos de hora em hora. E cada boletim tinha uma nota de notícias locais, uma nacional e outra internacional. E não era só escrever.

Até que se criasse um pasta comum para que eu pudesse salvar na rede de computadores o arquivo, eu tinha que imprimir e correr até o estúdio(que ficava a uns dez metros e sete portas depois da redação), com dez minutos antes da hora cheia, para dar tempo ao locutor de ler a nota antes que ela fosse ao ar.
Isto sim, não era o pânico do último minuto, mas o pânico de minuto a minuto.

As notas nacionais e internacionais eram fáceis. Só procurar na internet, colocar o texto em formato radiofônico e tudo bem. Já as locais, minha chefe fazia questão que fossem notas quentes, cavadas. Eu tinha uma lista enorme de locais para ligar e procurar notícias. Desde as delegacias de polícia e IML (cansei de noticiar corpos encontrados à beira da rodovia), até gabinetes políticos.
No princípio, era o caos.

Tomei tanta bronca por estourar o prazo, que fiquei calejada. Mas com o tempo, peguei algumas manhas, ganhei agilidade e já gastava apenas vinte minutos para procurar as notícias, redigir e enviar o texto para o locutor.


Mas jornalistas são pessoas criativas, ousadas, inteligentes, não é? Droga. Comentei com um locutor que faltava mais cultura nesta emissora. Precisavam de umas notas mais leves, sobre o que está passando no cinema, que peças estão para estrear, coisas do tipo. Na senama seguinte, minha chefe:


- Rafaela, comentaram que você teve uma ótima idéia para os informativos.


- Mesmo?


- É. Notas de cultura, né?


- Isto - eu, vibrando por dentro. Cultura era o meu forte.


- Gostei. Mas os boletins eu quero que mantenha o mesmo padrão. Quero só que você agora, além dos boletins, faça notinhas curtas de cultura a cada vinte minutos, pode ser?


Agora sim, isto é pânico!!! Mas não posso reclamar. Desde então, prazos de dias para mim são como passear no parque e é sempre no último minuto que aparece a nota (inspiração) mais quente!


Mais do mesmo por Ferreira Neto
Mais do mesmo por Daianne Fernandes